VIII Encontro 2021

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Visita ao Centro de Serviços Comunitários da Mulheres em Luta (San Miguel de Topilejo, México)

 

 

 

8º Encontro Internacional «A Economia dos  Trabalhadores»

Chamar

Cidade do México, 30 de agosto a 31 de outubro de 2021

 

 

Contextualização

Desde 2007, o Encontro Internacional «A Economia dos Trabalhadores» é realizado a cada dois anos, articulando um espaço de debate entre trabalhadores, ativistas sociais e políticos, intelectuais e acadêmicos sobre os problemas e potencialidades do que chamamos de «economia dos trabalhadores», baseada na autogestão e na defesa dos direitos e interesses da população que vive de seu trabalho, no âmbito das condições atuais do capitalismo globalizado e aprofundada pela crise derivada da pandemia que estamos vivendo.

 

No 7º Encontro Internacional sobre a Economia dos Trabalhadores no Brasil em 2019, o Coletivo de Cooperativas da Nova Central dos Trabalhadores, em conjunto com a Área de Estudos do Trabalho da Universidade Autônoma Metropolitana –  Xochimilco (UAM-X) e a Rede Economia dos Trabalhadores no México, tomou a iniciativa de organizar o 8º Encontro Internacional. Essa colaboração vem sendo mantida desde 2011, quando foi realizado na Cidade do México. O México também sediou em 2014, 2016 e 2018 os Encontros da Região Norte-Americana, Central e do Caribe. Em 2021, o Encontro Internacional A Economia dos Trabalhadores comemora 14 anos, e 10 desde a primeira vez que o México sediou o Encontro, como pode ser visto no site oficial do Encontro:

 

economiatrabajadorxs.com.ar

 

O Encontro Internacional A Economia dos Trabalhadores é um espaço político e analítico, onde são debatidos tratadas as experiências coletivas que convergem na defesa dos bens comuns e são discutidos os processos de construção de alternativas à hegemonia da sociedade de mercado. O marco comum é a economia social e solidária, a demanda por autonomia e a emancipação dos trabalhadores, críticas à hegemonia da violência econômica e estadual que se exerce para garantir a reprodução do capital.

 

A realização do 8º Encontro Internacional no México torna-se relevante para o movimento social em construção em torno da economia social e popular, as expectativas nesse setor criado em torno da mudança política em 2018 (chamada quarta transformação) vêm desaparecendo quando vemos a falta de vontade de se constituir um novo marco legal adequado a este setor social da economia. Hoje enfrentamos a redução do orçamento para o desenvolvimento de projetos produtivos no âmbito do cooperativismo, e quando prevalece uma lógica presidencialista, a demanda por autonomia, solidariedade e emancipação dos coletivos dos trabalhadores é atacada.

 

A partir do Coletivo de Cooperativas da Nova Central dos Trabalhadores temos sido críticos sobre a atuação do Estado, mas também proativos na promoção de um marco legal que fortaleça a economia social, na concepção de políticas públicas condizentes com a crítica à lógica do mercado, e na promoção de ações de solidariedade entre os trabalhadores em processos emancipatórios.

 

Em setembro de 2020 realizamos o Encontro Nacional de Organizações Populares com o objetivo de construir uma plataforma comum de luta e estabelecer mecanismos permanentes de coordenação, contribuindo para processos mais amplos de unidade entre a classe trabalhadora. Em abril de 2021 realizamos o Parlamento Aberto dos trabalhadores convocado por diversas organizações (sindicais, sociais, cooperativas) com o objetivo de apresentar propostas legislativas que surgiram do movimento social.  Portanto, pretende-se que o 8º Encontro A Economia dos Trabalhadores não nos encaminhe apenas para a análise e o conhecimento de nossa realidade social e trabalhista ou para um relato de nossas experiências. Propomos que contribua para a articulação entre os espaços de reflexão e nossos problemas como trabalhadores para transformar nossas condições de vida e ser protagonistas na construção de nossas propostas políticas, sociais, trabalhistas e culturais.

 

A realização do 8º Encontro Internacional da Economia dos Trabalhadores no México faz parte dessa via política. Permitirá a expansão da solidariedade em nível nacional e internacional, também para sustentar nosso movimento social em oposição à violência exercida pelo Estado e pelo capital, limitando a construção de alternativas e opções contra as regras ditadas pelo mercado de trabalho.

 

Para este Encontro preservamos o caráter crítico do evento. O edital será dirigido àqueles que se interessam em divulgar o contexto político e econômico em que ocorre a luta dos trabalhadores, o processo organizacional e a construção de alternativas político-produtivas, as experiências coletivas de resistência e luta em oposição à lógica extrativista que vem sendo instalada em nossos territórios, a reivindicação do comum diante da sociedade de mercado e da empresa neoliberal. Este Encuentro contribuirá para fortalecer as plataformas políticas que nos articulam em torno da economia social para transcender o capitalismo.

 

É importante ressaltar que os Encontros buscam discutir a economia do trabalho e da autogestão como alternativa ao capitalismo atual, para rediscutir essas questões não apenas na teoria, mas também a prática de experiências existentes. Procure também formar uma rede ativa e não apenas uma reunião de debate.

 

Perspectiva global

Estamos enfrentando a pior crise capitalista da história, um processo que se manifestou com a crise econômica de 2007-2008, que nunca foi superada e que a pandemia de saúde da Covid19  aprofundou e se estendeu, gerando muito desemprego, fechamentos de empresas, perda de salários e conquistas contratuais e maior precariedade para milhões em todo o planeta, ao mesmo tempo em que se destaca a tragédia causada nos sistemas públicos de saúde, graças ao processo de privatização promovido pelas diretrizes do Fundo Monetário Internacional, da OCDE e dos governos dos países capitalistas mais poderosos, o G7.

 

É essa tremenda crise que explica por que um novo processo de lutas sociais começou, que, em meio à pandemia, provocaram enormes mobilizações, como a registrada nos Estados Unidos, contra a violência racial da polícia, que assassinou George Floyd em Minneapolis, causando um movimento que deve ter envolvido mais de 20 milhões de pessoas de todos os setores, raças, destacando jovens e mulheres, que já haviam realizado protestos contra o então presidente Donald Trump, que reuniu mais de dois milhões de mulheres. De fato, a luta feminista contra a violência se tornou viral no final de 2020, uma marca indelével para se sustentar.

 

Em suma, desde 2019, houve protestos em massa na América Latina, que foram temperados pela pandemia, mas a urgência os reativa. No Chile, por exemplo, o presidente Piñera estava prestes a cair, ele teve que convocar uma Assembleia Constituinte para pôr fim ao legado nefasto de Pinochet.

 

Houve também protestos na Nicarágua, reprimidos por uma terrível repressão do governo de Daniel Ortega. No Peru, vários líderes caíram devido à corrupção, em meio a uma crise institucional que acaba de culminar em eleições sem precedentes, que refletem uma profunda polarização social.  Equador e República Dominicana têm sido palco de mobilizações sociais, atingindo o ponto mais crítico da Colômbia, enquanto no Haiti a crise se expressa no assassinato de seu presidente. Enquanto isso, a região da América Central está economicamente fraca, e a única alternativa é a migração.

 

Outro grande conflito social é o do povo palestino, que mais uma vez sofreu o ataque do governo sionista de Netanyahu, que ordenou o bombardeio indiscriminado da população, preparando um ataque terrestre, para continuar ocupando territórios dos já despossuídos, que foi interrompido por protestos internacionais.

 

É por isso que podemos concluir, após este breve resumo, que o 8º Encontro Internacional deve levar em conta esses processos convulsivos, para localizar a dinâmica e as alternativas, diante de uma clara crise global do capitalismo em meio a uma pandemia de saúde.

 

Objetivos

Nesse contexto, os objetivos do 8º Encontro «A Economia das e dos Trabalhadores» são: analisar como resistir a partir de uma economia própria para os trabalhadores, e como as lutas pela construção da gestão econômica e o domínio político dos trabalhadores podem ser fortalecidos, levando em conta as formas concretas de suas práticas de autogestão, como uma crítica alternativa ao sistema capitalista mundial.

 

Eixos de Discussão

1.- A crise do capitalismo global antes e durante a pandemia. Perspectivas econômicas, políticas e de emprego para os trabalhadores.

 

2.- As formas emergentes de luta econômica e política dos trabalhadores da cidade e do campo. Recursos, ferramentas, formas e ações estratégicas baseadas em ações coletivas como autogestão, cooperativismo, empresas recuperadas, resgate das práticas comunitárias dos povos nativos, organizações de bairro, inovações socioculturais, reformulação de estratégias econômicas, redes de solidariedade local, nacional e global.

 

3.- Contribuições da trabalho autogestionário no desenvolvimento coletivo para combater desigualdades e discriminação baseadas em sexo, raça/etnia, orientação sexual, identidade de gênero, pobreza e outras condições sujeitas ao racismo, heterossexismo e homofobia, entre outras.

 

  1. A distribuição e o consumo do ponto de vista da economia social e popular, bem-estar e sustentabilidade (ecológico, tecnológico e econômico) da vida: redes de consumo solidário, práticas de marketing dentro e para cooperativas, reivindicação do comum e do público do acesso a bens e serviços básicos.

 

5.- Os desafios do sindicalismo, do cooperativismo e de outras formas de organização dos trabalhadores assalariados e não assalariados, no capitalismo neoliberal global.

 

6.- A precariedade do trabalho, a incerteza do emprego, o desemprego antes e depois da pandemia covid19: terceirização, teletrabalho, informalidade, superexploração, crise nas perspectivas para os jovens, aposentadorias.

 

7.- A participação dos trabalhadores para a criação de políticas públicas que fortaleçam a economia social e popular e o cooperativismo: consultas, fóruns e outras experiências nacionais e internacionais.

 

8.- A dimensão emancipatória da saúde (mais do que ausência de doença). Os caminhos que ligam a luta pelo trabalho decente com a luta pela saúde dos trabalhadores e as repercussões do trabalho sobre os corpos: estresse, doença, acidentes, autogestão da saúde, desenvolvimento humano, nutrição, repouso, ergonomia, segurança e higiene, etc. Saúde pública, saúde comunitária, promoção da saúde e assistência social, acesso a serviços médicos, pensões e aposentadoria.

 

9.- A economia dos trabalhadores no contexto da migração nacional e internacional. O impacto dos migrantes no campo, no trabalho assistencial e em outros trabalhos essenciais e suas condições de superexploração em locais de chegada durante a pandemia.  Como os migrantes resistem: formas de auto-organização e solidariedade local e global, contribuições e propostas para construir redes, acompanhamento, vínculos, horizontes e eixos comuns de luta.

 

10.- Educação popular e construção de práticas pedagógicas para a sustentabilidade da economia alternativa: experiências de formação política de trabalhadores, função social das universidades, coprodução do conhecimento e transferência de conhecimento.  Estudos sobre economia dos trabalhadores.

 

Como participar:

Como tem sido tradicional, as Reuniões começam com um conjunto de atividades anteriores, que nesta ocasião são inseridas num calendário de acordo com as iniciativas das partes interessadas, e  culminarão na última semana de outubro, com eventos especiais, para os quais, oportunamente, uma chamada específica envolvendo o comitê organizador internacional deve ser ativada.

 

Por enquanto, a Pandemia nos obriga a adotar o formato virtual, que pode ser usado para se abrir às iniciativas dos participantes internacionais da rede na concepção das atividades. Trata-se da construção de um Folder do 8º Encontro que possa ser amplamente divulgado, por isso convocamos as organizações, cooperativas e outras instâncias e interessados que participam da Rede Internacional A Economia dos Trabalhadores, para apresentar as iniciativas e atividades que estão organizando.

 

Ficou acordado que o Encontro terá uma sede física na Cidade do México, para aqueles que, devido ao formato da atividade, necessitam de suporte técnico ou condições específicas, ou para aqueles que, por algum motivo, precisam de um lugar, possam comparecer pessoalmente, desde que as condições de saúde a permitam, e seguindo os protocolos estabelecidos. Essa possibilidade híbrida será opcional e voluntária.

 

As propostas de atividades podem ser:

 

  • Conversas, buscando uma participação plural com trabalhadores, acadêmicos, membros de organizações, funcionários… local e internacional, se aplicável.
  • Mesas redondas e mesas especiais, com a perspectiva dos especialistas internacionais da rede A Economia dos Trabalhadores, que vem refletindo nossa agenda desde a autogestão econômica, entendendo a necessidade de unidade internacional dos trabalhadores, e também de acordo com problemas expressos que são considerados relevantes e estratégicos.
  • Visitas virtuais a cooperativas, empresas recuperadas e espaços auto-geridos organizados por quem participa do Encontro, eestarão abertos a experiências internacionais.
  • Seminários, metodologias e avanços em: Panorama das empresas recuperadas no mundo. Estudos e outros projetos de pesquisa e temas relacionados à agenda da Economia dos Trabalhadores.
  • Oficinas
  • Apresentação de livros e revistas
  • Documentários, filmes, arquivos fotográficos, shows e outras atividades recreativas relacionadas à agenda do encontro.

É importante considerar que, por se tratar de um Encontro Internacional, as atividades podem ocorrer no horário das 11h às 14h Horário do México (13h às 16h no horário do Brasil), e preferencialmente ter uma duração máxima de 3 horas, considerando os fusos horários da América do Sul, África do Sul e Europa, bem como na América do Norte, uma vez que aspiramos ter um grande público.

Podem ser propostos painéis de até 5 participantes, incluindo o moderador, com temas específicos, a partir dos eixos de trabalho, e é aconselhável considerar um espaço de diálogo com o público. As atividades podem ser depoimentos e, no caso daqueles que contêm elementos de reflexão e análise, utilizam uma linguagem acessível.

Os/as organizadorxs das atividades propostas com palestrantes definidxs estarão abertos a sugestões (em termos de moderadores, palestrantes, títulos,  datas) que possam dar aos grupos e instâncias envolvidos na organização do 8º Encontro para o seu melhor desenvolvimento; trata-se de combinar expositores nacionais e internacionais, trabalhadores manuais e intelectuais, mulheres e homens, de acordo com o caso. A coordenação do Encontro anunciará o calendário de atividades.

Datas importantes:

Serão recebidas propostas de atividades para organizar o calendário de atividades de 15 de julho a 31 de agosto de 2021. As atividades podem ser realizadas entre setembro e outubro, preenchendo o formato disponível em:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfN1BRGd4EIHSCdPpX1g2GIHN1JIjUu_Uhk6U_uUNyEnMuNeA/viewform?usp=sf_link

 

Contato:

8economiadelostrabajadores@gmail.com

 

Entidades organizadoras

Colectivo de Cooperativas de La Nueva Central de Trabajadores (México), Sindicato Mexicano de Electricistas, Centro Para la Justicia Global; Academia de Economía Política (Facultad de Economía, UNAM), Facultad de Ciencias Políticas y Sociales y  el Centro Regional de Investigaciones Multidisciplinarias (UNAM), Área Administración y Gestión Socio-Económica de las Organizaciones, Área Macroeconomía Dinámica y Cambio Estructural y Maestría en Ciencias para la Salud de los Trabajadores (UAMX); Centro de Reflexión y Acción Laboral, A..C.; Centro de investigación y Estudios Superiores en Antropología Social;, Cuerpo Académico: Estudios interdisciplinarios sobre modos de vida, capitalismo y medio ambiente (Universidad Autónoma de Querétaro); Centro Cooperativo Artesanal La Brújula Metropolitana; Asociación Nuestramericana de Estudios Interdisciplinarios de Crítica Jurídica, A.C.; Red de Investigadores y Educadores en Cooperativismo (Redcoop); Centro de Servicios Comunitarios “Mujeres en Lucha” de San Miguel Topilejo,  Colectivo Cultural Catarsis, del Estado de Hidalgo, Colectiva Añil, Red de Cooperativas del Sur (RECOSUR); Alianza Cooperativista Nacional, A.C. (ALCONA).

 

 

Entidades organizadoras internacionais

Área Estudios del Trabajo, Universidad Autónoma Metropolitana Unidad Xochimilco, México; Centre for Learning Social Economy & Work, University of Toronto, Canadá; Programa Facultad Abierta, Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires, Carrera de Relaciones del Trabajo de la Universidad Nacional Arturo Jauretche, Argentina; Asociación para la Autogestión, Francia; Confederación Sindical Solidaridad Obrera, España; Centro de Formación y Documentación sobre Procesos Autogestionarios CFDPA (conformado por la Central sindical PITCNT, Asociación Nacional de Empresas Recuperadas por sus Trabajadores ANERT, Federación Uruguaya de Cooperativas de Vivienda por Ayuda Mutua FUCVAM, Coordinadora de Economía Solidaria CES y la Red temática de Economía Social y Solidaria UDELAR);  Confederación Nacional de Cooperativas de Trabajo de Santa Fé, Argentina; Cooperativa de Trabajo Textiles Pigüé (Argentina); Cooperativa de Trabajo y Consumo Inimbó (Argentina); Facultad de Ciencias Sociales-Universidad de la Republica (Uruguay); Desde Abajo (Colombia); RiMaFlow (Italia); Union Syndicale Solidaires (Francia); Soltec(Brasil); GPERT (Brasil); «Fuorimercato, autogestione in movimento» (Italia); Pueblo a Pueblo (Chile); Corporación Creare Social (Colombia).

 

 

 

Programación horaria

30 de agosto

11:00 - 14:00
Abertura

9 de setembro

11 - 13:30
Visita ao Centro de Serviços Comunitários da Mulheres em Luta (San Miguel de Topilejo, México)
Sep 25 2019 - Sep 29 2019

VII Encuentro 2019

Escuela Nacional Florestan Fernandes (ENFF)
Jul 22 2016 - Jul 26 2016

V Encuentro 2015

Punto Fijo, Paraguaná, Estado Falcón, Venezuela
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